Existe uma primeira vez para entrar em um restaurante e pedir uma mesa para uma, descobrir um caminho sem ter para quem perguntar “é por aqui?” ou acordar em uma cidade nova sabendo que o dia inteiro é seu.
Viajar sozinha coloca você diante de experiências que parecem pequenas, mas dizem muito sobre a forma como fazemos escolhas, lidamos com o desconhecido e aproveitamos a nossa própria companhia.
Entre planos que mudam no caminho e encontros que não estavam previstos, também descobrimos coisas sobre nós mesmas.

Você aprende a decidir por você
Viajar com outras pessoas envolve pequenas negociações o tempo todo. Alguém quer acordar cedo, outra pessoa prefere começar o dia mais tarde. Você quer conhecer um museu, mas o restante do grupo está com fome. Até escolher onde jantar pode acabar dependendo da vontade de mais de uma pessoa.
Quando você viaja sozinha, essas decisões ficam nas suas mãos. Pode passar a manhã inteira em um lugar de que gostou, mudar o roteiro porque descobriu alguma coisa pelo caminho ou voltar para o hotel quando estiver cansada. Essa liberdade também faz você prestar mais atenção às próprias vontades e descobrir o que escolhe quando não precisa chegar a um acordo com ninguém.
Você descobre que consegue se virar
Por mais planejado que esteja o roteiro, alguma coisa pode sair diferente do esperado. Você pega o transporte errado, se perde em uma rua desconhecida, chega a um lugar e encontra a porta fechada ou precisa descobrir como chegar ao hotel sem conhecer muito bem a cidade.
Quando não há uma pessoa conhecida ao lado para dividir a decisão, você precisa pensar no que fazer, procurar informações e, muitas vezes, pedir ajuda. Resolver essas pequenas situações por conta própria vai construindo uma confiança que não vem de saber todas as respostas, mas de perceber que você consegue encontrá-las quando precisar.
A sua própria companhia também pode ser boa
Fazer uma viagem sozinha também significa passar bastante tempo com você mesma. É tomar café sem ter alguém do outro lado da mesa, caminhar por uma cidade sem conversar o tempo inteiro e decidir o que fazer quando algumas horas do dia estão completamente livres.
No começo, alguns desses momentos podem parecer estranhos. Depois, você pode descobrir o prazer de escolher um restaurante só porque gostou dele, ficar mais tempo observando alguma coisa ou passar uma tarde inteira seguindo apenas a própria curiosidade. E, se em algum momento sentir vontade de ter alguém por perto, tudo bem. Gostar de estar com você mesma não significa querer estar sozinha o tempo todo.
Nem tudo precisa sair como você planejou
Você pode pesquisar o destino, montar um roteiro e salvar todos os lugares que quer conhecer. Ainda assim, a viagem dificilmente vai acontecer exatamente como você imaginou. Pode chover no dia da praia, um passeio ser cancelado ou você simplesmente acordar sem vontade de seguir os planos que fez.
Viajar sozinha também ensina a lidar melhor com essas mudanças. Se encontrou um lugar onde gostaria de ficar mais tempo, fique. Se está cansada, volte mais cedo. E, se alguma coisa der errado, reorganize o dia a partir dali. Nem sempre mudar os planos significa perder alguma coisa. Às vezes, é justamente assim que você encontra o que não estava procurando.
Você presta mais atenção ao que está ao redor
Sem uma companhia conhecida conversando com você durante todo o caminho, algumas coisas ganham mais espaço. Você observa o movimento de uma rua, escuta um idioma diferente na mesa ao lado, percebe como as pessoas vivem naquele lugar ou entra em uma loja simplesmente porque alguma coisa na vitrine chamou a sua atenção.
Essa atenção também aproxima você do destino. Perguntar onde comer, pedir uma informação ou conversar com alguém que mora ali pode mostrar uma parte da cidade que não estava no roteiro. Viajar sozinha não significa apenas passar mais tempo consigo mesma. Também pode ser uma forma de olhar com mais atenção para onde você está.
Você se abre para o mundo
Quando você não está acompanhada, conversar com outras pessoas também pode acontecer de um jeito mais espontâneo. Uma pergunta durante um passeio vira conversa, alguém no hostel convida você para jantar ou uma pessoa que conheceu naquela manhã acaba fazendo companhia durante parte do dia.
Nem todo encontro precisa virar uma amizade para a vida inteira. Algumas pessoas ficam por algumas horas, outras por alguns dias e algumas amizades duram até depois que a viagem termina. Viajar sozinha também ensina a se abrir um pouco mais para o mundo. Porque, quando você se permite conversar com quem está ao lado, aceitar um convite ou mudar os planos por um encontro inesperado, coisas extraordinárias podem acontecer pelo caminho.
Você confia mais na sua intuição
Viajar sozinha também deixa você mais atenta ao que acontece ao seu redor. Um caminho que parece deserto demais, alguém que se aproxima e deixa você desconfortável ou uma situação que simplesmente não parece certa. Nem sempre você vai conseguir explicar o motivo, e não precisa esperar ter certeza de que existe algum risco para se afastar.
Com o tempo, você aprende a se ouvir mais e respeitar os seus próprios limites. Se alguma coisa deixa você desconfortável, mude de caminho, procure um lugar mais movimentado, recuse um convite ou vá embora, mesmo que isso possa parecer indelicado.
Você volta sabendo um pouco mais sobre si mesma
Depois de alguns dias escolhendo seus próprios caminhos, resolvendo imprevistos e decidindo como ocupar o tempo, algumas preferências ficam mais claras. Você descobre o que gosta de fazer quando ninguém está escolhendo junto, quais situações deixam você desconfortável, quando prefere ficar sozinha e quando sente vontade de procurar companhia.
Talvez esse seja um dos aprendizados mais interessantes de viajar sozinha: não voltar necessariamente mais corajosa ou independente, mas voltar conhecendo um pouco melhor os seus limites, as suas vontades e a maneira como você se relaciona com o desconhecido. Viajar sozinha não precisa ser uma prova de nada. É apenas uma das formas de descobrir o mundo e, no caminho, descobrir algumas coisas sobre você também.


