Dormir oito horas, meditar todos os dias, beber mais água, fazer exercício, ler antes de dormir. Até o cuidado com a gente pode acabar entrando na lista de coisas que precisamos fazer e, de preferência, fazer bem.
Não há nada de errado em criar hábitos que fazem você se sentir melhor. O problema começa quando até o descanso, o lazer e o tempo livre precisam ter uma função.
Dormimos para ter mais energia, fazemos uma pausa para voltar mais concentradas e escolhemos hobbies pensando no que podemos aprender com eles. Aos poucos, parece que todo o nosso tempo precisa produzir alguma coisa.
E se você pudesse cuidar de si sem esperar nada em troca?

Quando até o autocuidado vira mais uma tarefa
Talvez você já tenha terminado um dia cansada e pensado que ainda precisava meditar, fazer skincare, ler algumas páginas de um livro ou cumprir qualquer outro hábito da sua rotina. O que deveria ser um momento de cuidado começa, então, a parecer mais uma obrigação antes de dormir.
Isso acontece quando levamos para o autocuidado a mesma lógica que usamos para organizar outras partes da vida. Criamos metas, acompanhamos resultados e tentamos manter uma sequência perfeita. Não significa que você precise abandonar a rotina que funciona para você. Mas, se fazer tudo aquilo começa a gerar mais cobrança do que bem-estar, talvez seja hora de deixar alguma coisa para amanhã.
Você não precisa descansar para produzir mais depois
É comum falar sobre descanso a partir do que ele pode fazer por nós depois. Uma boa noite de sono melhora o desempenho, uma pausa ajuda na concentração e alguns dias de férias fazem você voltar ao trabalho com mais energia.
Tudo isso pode ser verdade, mas não precisa ser a justificativa para descansar. Você pode dormir porque está cansada, passar uma tarde no sofá porque teve uma semana difícil ou simplesmente não fazer nada porque está com vontade. O descanso não precisa devolver você ao mundo mais produtiva do que estava antes.
Nem todo hobby precisa virar um projeto
Começar alguma coisa nova costuma vir acompanhado de uma pergunta: será que sou boa nisso? Depois aparecem metas, números e maneiras de acompanhar a evolução. Quantos quilômetros você correu, quantos livros leu, quanto melhorou no desenho ou quantas pessoas viram as fotografias que você publicou.
Mas você também pode fazer alguma coisa simplesmente porque gosta. Pintar sem saber pintar, correr sem olhar o pace, fotografar sem postar, cozinhar sem querer aperfeiçoar a receita. Nem tudo o que ocupa o seu tempo precisa levar você a algum lugar. Às vezes, o prazer está justamente em fazer sem precisar ficar melhor.
Fazer nada também pode fazer parte do dia
Um intervalo de dez minutos aparece e quase automaticamente pegamos o celular. Se sobra uma tarde, procuramos uma série, marcamos alguma coisa ou pensamos em uma tarefa que poderia ser adiantada. Parece estranho deixar um espaço do dia realmente vazio.
Só que nem todo tempo livre precisa ser preenchido. Você pode ficar alguns minutos olhando pela janela, deitar no sofá sem colocar nada para assistir ou tomar um café sem fazer outra coisa ao mesmo tempo. E nem isso precisa virar um exercício de presença ou uma nova prática de bem-estar. Você pode simplesmente não fazer nada.
Cuidar de si também é perceber o que você precisa
Autocuidado não precisa ter sempre a mesma aparência. O que faz bem em uma semana pode ser justamente o que você não quer fazer na seguinte. Há dias em que sair para encontrar as amigas é tudo o que você precisa; em outros, o melhor plano pode ser cancelar e ficar em casa.
Prestar atenção em como você está ajuda a separar aquilo que realmente faz bem do que entrou na rotina porque parecia ser algo que você deveria fazer. Às vezes, cuidar de si é preparar uma refeição com calma. Às vezes, é pedir comida porque você não quer cozinhar. Não existe uma única maneira de fazer isso direito.
Nem tudo precisa ser melhorado
Estamos acostumadas a pensar em versões melhores de quase tudo: dormir melhor, comer melhor, organizar melhor o tempo, cuidar melhor do corpo, ter relações melhores e até aprender a descansar melhor. Sem perceber, podemos começar a olhar para nós mesmas como se sempre houvesse alguma coisa que ainda precisa ser corrigida.
Claro que mudar faz parte da vida, principalmente quando alguma coisa já não faz sentido ou não faz bem para você. Mas também existem partes de nós que não precisam estar em constante evolução. Cuidar de si pode ser, às vezes, parar de procurar o que precisa ser melhorado e simplesmente deixar algumas coisas serem como são.


